Três uruguaios criaram um sistema para controlar o parto em tempo real a partir de um computador, patentearam-no e agora começaram a oferecer o serviço aos produtores de gado do país. O Taurus controla o comportamento do touro e a Vênus controla o comportamento da vaca.
O Sistema MU é orientado para otimizar o parto para melhorar a produção de bezerros e a rentabilidade da pecuária no país, que há anos vem sofrendo com as baixas taxas de gravidez. Os arquitetos da nova tecnologia são os engenheiros eletrônicos Julián Oreggioni e Pablo Castro, e o renomado veterinário Emilio Machado, que faz parte do grupo de técnicos que contribuem com seu trabalho no Workshop de Avaliação de Diagnóstico de Gestação de Vacinas da INIA Treinta y Tres.
"Sempre tivemos a idéia de ligar a tecnologia com o campo e encontramos em Emilio o parceiro espelho, que tenta ligar o campo à tecnologia. Como empresa, queremos isso: tecnologia da informação, eletrônica, telecomunicações ligadas ao campo", disse Oreggioni ao El Observador Agropecuario.
"Sempre tivemos a idéia de ligar a tecnologia com o campo e o campo com a tecnologia".
Em Ingenio, a incubadora de empresas do Laboratório Tecnológico Uruguaio (LATU), nasceu a Agromote, a empresa que criou o Sistema MU, que fornece informações sobre o entore. O Uruguai tem uma série de vantagens relativas importantes como plataforma de desenvolvimento, seu mercado agrícola é interessante", explicou Oreggioni, e acrescentou que o MU-System "nasceu com vocação exportadora: queremos vender ao mundo a tecnologia que desenvolvemos".
O MU-System é um sistema orientado "para melhorar o pastoreio ao ar livre", no método natural de reprodução. "No mercado uruguaio, 90% do total da criação no campo é feita e os 10% restantes são inseminação artificial, que é a outra tecnologia utilizada para a reprodução", lembrou Oreggioni. "Temos visto que no processo de pastoreio há uma eficiência moderada. Há uma capacidade ociosa no sistema, há uma oportunidade de melhoria que detectamos", disse o técnico, acrescentando que "quando entramos no assunto vimos que há outros problemas no desbaste, como o fato de que é longo e há produtores tão preocupados em melhorar sua taxa de procriação a ponto de encurtá-la, tornando-a mais eficiente no tempo".
"Se a vaca engravidar mais cedo, conseguiremos que o bezerro nasça mais cedo e tenha mais quilos no momento da venda". Além disso, ao trazer o rebanho de maneira uniforme, resolvemos problemas logísticos", disse ele.
Com informações em tempo real sobre o progresso do rebanho, as prioridades podem agora ser estabelecidas.
Outra virtude que os criadores vêem no Sistema MU é que ele permite "rastreabilidade genética completa", porque "sendo capazes de monitorar o parto, podemos saber qual touro montou qual vaca e ter informações sobre o pai". Da mesma forma, tendo informações de dentro, do que está acontecendo no rebanho, também poderemos prevenir e identificar certas doenças", explicou Oreggioni.
Machado disse que "tendo a informação em tempo real sobre o progresso do rebanho, podemos estabelecer prioridades, agir com os lotes de vacas que não estão pedalando, o que nos permitirá saber que porcentagem de cio existe, quais vacas foram as que pedalaram e recarregaram as tinturas no que está fora".
Ao mesmo tempo, "com essas informações, visar os menores e mais concentrados entores. E eliminar tudo que é um rabo de bezerro", disse ele.
Como funciona o Sistema MU
O sistema MU funciona colocando um dispositivo eletrônico chamado Tauro nas costas do touro, que detecta em tempo real o comportamento do animal durante o parto. Além disso, outro dispositivo, chamado Vênus, pode ser colocado nas costas da vaca, o que permite a Taurus identificar a fêmea.
Agromote oferece o serviço alugando os dispositivos, processa as informações e as coloca à disposição do produtor 24 horas por dia através da plataforma web www.sistema-mu.com através de um usuário e senha. Julián Oreggioni mencionou dois clientes: a fazenda Bayucuá, com Tauro; e La Milagrosa, de Laca, com Tauro e Venus.
Fonte: O Observador
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