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A universidade tecnológica aposta na indústria das TIC no interior do país

15/08/16

CUTI diz que a falta de pessoas qualificadas coloca um teto na expansão
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Com apenas um ano de existência e aproximadamente 160 estudantes, o programa de graduação em Tecnologia da Informação da Universidade Tecnológica (UTEC) abre uma luz de esperança para o nascimento e desenvolvimento da indústria das TIC no interior do país e para seu impulso em nível nacional.

 

Embora não seja a única opção na oferta educacional do país, para Monica Silvestri, coordenadora do curso técnico, a proposta do UTEC tem um diferencial, que facilita o acesso às pessoas de qualquer parte do país: a modalidade de aprendizagem combinada (blended learning). Em uma entrevista com El Observador, Silvestri disse que 70% do conteúdo do curso é ensinado virtualmente e o restante pessoalmente. Para esta última, a universidade utiliza, através de um acordo, as instalações da base da Força Aérea em Durazno. "As aulas presenciais são aproximadamente uma vez por mês. Há também visitas a empresas" e reuniões com a idéia de que os estudantes conheçam e façam contatos com o setor, disse ele.

 

O curso tem a duração de dois anos. Silvestri enfatizou que, uma vez formados, "as oportunidades para os estudantes são muitas" porque eles podem ingressar em empresas diferentes ou começar suas próprias. Levando em conta que muitos dos alunos do curso são do interior do país, ele disse que seria bom que alguns deles "se tornassem agentes de mudança" e desenvolvessem seus próprios negócios em seu local de origem. "Isso teria um impacto muito importante, já que hoje existem muitas empresas que não vão para o interior porque não há pessoas treinadas", o que coloca um teto no crescimento da indústria, disse ele.

 

Álvaro Lamé, presidente da Câmara Uruguaia de Tecnologia da Informação (CUTI), concordou com Silvestri. Falando ao El Observador, ele disse que a falta de pessoas treinadas é o principal desafio enfrentado pela indústria de TIC do Uruguai. "Se resolvermos a questão das pessoas, resolvemos 60% ou 70% dos problemas do setor. Não apenas para a indústria que temos hoje, mas também para atrair empresas estrangeiras para se estabelecerem no país", disse ele.

 

A este respeito, ele enfatizou que o setor tem 0% de desemprego há muitos anos e há um desejo de realizar novos projetos, mas eles não são lançados devido à falta de mão-de-obra qualificada. "A indústria está gerando cerca de 12.000 empregos e o que está acontecendo é que as empresas estão tirando pessoas umas das outras porque não há outra opção.

 

Ele também indicou que a escassez de talentos leva as empresas a aceitar jovens estudantes, que eventualmente acabam abandonando a escola, de modo que há 70% dos estudantes que não se formam.

 

De fato, segundo dados do anuário do Ministério da Educação e Cultura, enquanto em 2014 1.295 estudantes ingressaram nas diversas opções universitárias de TIC (Universidad de la República, ORT, Universidad Católica, Universidad de Montevidéu e Universidad de la Empresa), o nível de formados foi de 378. Na formação tecnológica oferecida pela UTU, 223 estudantes ingressaram nesse mesmo ano e apenas 16 se formaram.

 

Lamé salientou que se for criada uma massa crítica de pessoas treinadas distribuídas por todo o país, mais empresas estrangeiras virão para se estabelecer no país. Ele enfatizou que o Uruguai tem vantagens comparativas que o ajudariam a se tornar um bom destino para eles. Entre os pontos fortes ele mencionou o Plano Ceibal, a banda larga e o alto uso da Internet para estudos de laboratório.

 

Fonte: O Observador

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