O Centro Médico Dartmouth Hitchcock baseado em várias cidades americanas está implementando um novo sistema que introduz a telemedicina. Um kit médico é distribuído aos usuários, que inclui um relógio que mede o ritmo cardíaco, uma balança e também um monitor de pressão arterial - todos dispositivos inteligentes. Os dados obtidos por esses instrumentos são então cruzados com o histórico médico digital do paciente.
Em paralelo, uma espécie de centro de atendimento telefônico com pessoal médico realiza atendimento à distância. A partir da evolução das variáveis de freqüência cardíaca, peso e pressão, um alerta automático é acionado se algo fora do comum acontecer com o paciente, proativamente, a instituição entra em contato com o paciente e o atende virtualmente através de uma chamada de vídeo.
É como ter um médico seguindo-o 24 horas por dia. Este caso foi trazido à luz pelo gerente geral da Microsoft Uruguai, Rodrigo Astiazaran, já que este e outros projetos relacionados à medicina que estão sendo implementados em instituições nos Estados Unidos e até mesmo na região no Brasil, são desenvolvidos conjuntamente por esta empresa de tecnologia.
Segundo Astiazaran, no caso de Dartmouth Hitchcock, para a instituição significa economia de custos, não apenas no tipo de atendimento que não é presencial se o paciente não o requer, mas pode evitar hospitalizações e intervir proativamente antes que a pessoa seja mais séria. "Atualmente, o acesso à inteligência artificial se tornou muito democratizado. O investimento pode começar em US$ 3.000 por ano, mas para uma empresa que quer melhorar seus serviços, acaba sendo um benefício, assim como para seus usuários", explicou ele.
No Uruguai, o projeto de Registro Eletrônico de Saúde (EHR) começou a ser implementado em 2012, e espera-se que até 2020 todas as instituições tenham essa contribuição. "Hoje a digitalização de registros médicos é a coisa mais comum no Uruguai, mas através dela você pode entender todos os metadados desses registros e transformá-los em algo útil", disse o gerente da Microsoft Uruguai. Um desses usos poderia ser a determinação de quais doenças o paciente terá, cruzando dados.
Para o gerente de consultoria da EY Uruguay, Ernesto Scayola, tradicionalmente ao falar sobre a incorporação de tecnologia em instituições médicas, o foco era "dentro de casa", nos equipamentos e sistemas utilizados pela instituição. No entanto, isso mudou nos últimos anos. "As instituições estão procurando confiar na tecnologia para melhorar o relacionamento e a experiência com seus membros, por isso temos visto o nascimento de plataformas que permitem agendar uma consulta, rever estudos clínicos ou até mesmo consultar um médico por videoconferência", disse ele.
Além disso, ele previu o que o uso da Internet das coisas poderia gerar no futuro. "A saúde pode ser monitorada e isto permitirá que os profissionais tomem decisões oportunas com base em uma gama mais ampla de dados; no entanto, estes desenvolvimentos não estarão livres de desafios regulatórios e integração com as plataformas das instituições", disse ele.
Consultas em vídeo: mais abordagem
A interação entre engenheiros e médicos tornou possível a implementação de registros médicos eletrônicos na MP Medicina Personalizada. De acordo com o gerente comercial da PM, Juan Manuel Zorrilla, embora seja utilizada a vídeo-consulta e até mesmo a comunicação WhatsApp entre médico e paciente, a consulta cara a cara não pode ser substituída. "Nossos médicos sempre priorizam o atendimento personalizado. Isso significa consulta clínica presencial, onde muitas informações sobre o paciente podem ser compartilhadas", disse ele. Ele acrescentou que isto não tira "que em alguma circunstância uma consulta possa ser feita usando a tecnologia, embora ela tenha certas restrições".
MP App
Segundo Zorrilla, o mundo está falando do conceito de "4 P's" na medicina: preventivo, preditivo, preciso e personalizado. "Precisão é, por exemplo, fazer uma droga específica para uma pessoa de acordo com seu DNA". A medicina personalizada vai nesse sentido na relação médico-paciente, na qual empatia e colaboração são fundamentais", resumiu ele.
No caso do Seguro Americano, além da aplicação que permite ao paciente interagir com a instituição, agendar consultas, visualizar seu histórico médico, entre outras questões, foram implementadas mudanças ao longo dos anos na parte de assistência, disse o diretor Carlos Tarabochia. "Com a introdução da cirurgia por vídeo, com procedimentos minimamente invasivos, a tecnologia tirou o médico do corpo do paciente, e o paciente é observado a partir de um monitor", disse ele.
Para o médico responsável pelo Seguro, quando as patentes dos robôs forem gratuitas, a produção se tornará mais barata e seu uso se tornará mais popular. "Em um curto período de tempo, certamente haverá um número maior de robôs em blocos cirúrgicos, o que é a mesma coisa que aconteceu com a imagem", explicou ele.
Enquanto isso, o gerente comercial, de marketing e desenvolvimento da BlueCross & BlueShield, Pablo Fernandez, disse que é cada vez mais comum que as instituições mais avançadas implementem dispositivos que coletam informações, monitoram um paciente remotamente e podem ajudá-lo. "Todas as informações coletadas pelos dispositivos são acessíveis através da Internet, geram alertas para que o médico tenha as informações mais ágeis", disse Fernandez. No caso desta seguradora de saúde, que pertence ao grupo médico suíço, o acesso a este tipo de tecnologia facilita a sua utilização pela filial uruguaia.
De acordo com os membros das instituições, a questão é que além de gerar mudanças nos negócios e envolver uma melhoria no serviço ao usuário, devemos levar em conta a segurança das informações sensíveis. "Devemos tomar precauções suficientes para que não seja violado", disse Fernandez.
Mais uso de dados
As novas tecnologias também tornaram possível aos centros médicos saber o que o cliente (usuário) tem a dizer para a instituição. No caso do Hospital Britânico, é realizado um monitoramento on-line da satisfação pós atendimento, que permite saber como tem sido a experiência em cada um dos serviços. Sandra Bogado, gerente de serviços da instituição, disse que o próprio hospital instalou "monitores de satisfação" para monitorar permanentemente o retorno dos clientes no local. "Embora o Hospital Britânico sempre tenha tido muito feedback de seus usuários, com diferentes metodologias para conhecer os níveis de satisfação, hoje a tecnologia está alinhada nesta perspectiva e nos dá possibilidades muito mais ricas e imediatas. A multicanalização é essencial e entendemos que são necessários mais canais e canais de contato para frente e para trás. Isto faz a ligação com os membros e a estreita ligação que queremos manter com eles", disse ele.
A experiência do usuário está se tornando cada vez mais importante. Segundo a Gerente de Desenvolvimento de Negócios da KPMG Uruguai, Valentina Sena, embora no Uruguai tenha havido alguns tímidos avanços - especialmente na digitalização de processos - ainda há muito trabalho pela frente e há uma falta de conscientização sobre o assunto. "Há também um grande desperdício do volume de dados que é tratado na órbita da saúde e uma perda de oportunidades reais de trabalhar em áreas de prevenção. Não se trata apenas de capitalizar sobre os dados que em si mesmos surgem da história médica do paciente, mas também da enorme quantidade de dados que podem ser facilmente gerados com a introdução da Internet das coisas", disse ele.
Outro aspecto destacado pela Sena é o "empoderamento digital" dos pacientes, o que os leva a estar mais e melhor informados e a exigir um melhor serviço.
Por sua vez, o sócio da CPA Ferrere e diretor da CPA Innovation, Bruno Gili, disse que as novas tendências para interpretar as informações estão "em sua infância" no Uruguai. "Há pouca experiência. Esta é uma tendência que está sobre a mesa e há um campo extraordinário para se trabalhar. O sistema de saúde ainda utiliza poucas informações ligadas a estes aspectos. É necessário gerar um serviço de alta qualidade e alta rentabilidade, há muitas coisas que acontecem hoje que poderiam ser mais eficazes se houvesse mais interpretação dos dados do sistema de saúde", disse ele.
Para a segurança do acesso aos registros médicos, Gili se referiu à cadeia de bloqueio como uma tecnologia que acabará "impactando a saúde, pois acrescentará confiança a muitas operações no setor".
Humanização da medicina
A diretora do iSalud, Cecilia Hackembruch, apontou para o conceito de "humanização da medicina". A instituição educacional forma profissionais médicos e não-médicos nas áreas de gestão da saúde, de uma perspectiva transversal "não apenas em gestão, mas em habilidades brandas, que são as mais necessárias atualmente".
Segundo Hackembruch, para que o paciente seja contido, deve haver uma "ética funcional": "Se não forem fornecidos elementos para que o médico tenha outra relação, desde o momento da consulta, do edifício, da burocracia, ele não funciona. Há coisas simples que são importantes para que o paciente tenha o que é necessário. Além disso, ele reafirmou o conceito de que o paciente requer informação. "O paciente de hoje é informado, mas com um viés. O que ele precisa é ter ferramentas confiáveis para saber o que ele tem e isso determina o tratamento", explicou ele.
Empreendimentos que ligam saúde e tecnologia
Connectus Medical
O startup que conecta pacientes com centros de diálise abriu uma unidade de negócios que fornece serviços para empresas médicas. Junto com a empresa sueca Diaverum, eles fornecem óculos de realidade virtual para pacientes que estão em diálise por quatro horas e precisam ser distraídos. "O que temos é uma área de 360° de passeios, uma área de lazer para crianças e adultos e uma área de yoga e cuidado para acalmar", explicou o CEO da Connectus Medical, Javier Artigas.
Armor Bionics
A empresa se concentra na fabricação de modelos 3D para planejamento cirúrgico. "Quando você tem que fazer uma cirurgia, você prefere que o médico planeje e teste a cirurgia antes", disse o diretor comercial, Pablo Pereira.
A Armor Bionics lhe fornece um modelo exatamente idêntico ao da parte do corpo a ser operada, pois é baseado em tomografias computadorizadas.
"Encurta o tempo. Antes de abrir a pele, o médico já sabe o que vai encontrar do outro lado. Você pode mostrá-lo a um professor e discutir a operação com outros médicos", explicou Pereira, que trabalha como diretor comercial. O tempo de operação foi reduzido de 15 para 7 horas.
"Uma das coisas importantes é a importância da redução de custos para o sanatório. A hora do bloco cirúrgico com todo o equipamento é muito cara. Se você fizer isso mais rápido, você economiza custos e pode fazer mais cirurgias por dia", resumiu Pereira.
ViperMed
A empresa oferece materiais para educar o paciente sobre diferentes tipos de doenças. Segundo o CEO da ViperMed, Ignacio Oliveri, há muitas áreas de intervenção para educar o paciente. "Você pode educá-los quando eles têm uma doença crônica estabelecida ou quando tem a ver com procedimentos e como realizá-los", disse ele.
Além disso, há uma outra linha que é a da prevenção. "É uma palavra chave, mas muito ampla". A prevenção tem que ser muito focada e segmentada aos nichos de pessoas com mais problemas, o que gera um alto custo nas instituições de saúde", disse ele.
Atualmente estão trabalhando com 17 laboratórios latino-americanos no Chile, Uruguai, Guatemala, Costa Rica, Bolívia, México, Peru, entre outros. "O que os hospitais não fazem por conta própria, os laboratórios financiam", explicou Oliveri. Os visitantes médicos dão os cartões com o material educativo aos médicos para que eles possam oferecer educação aos pacientes.
Doctari
A Doctari está em operação em sua versão B2C desde agosto de 2017, e está atualmente desenvolvendo testes piloto na Argentina. "Muitas consultas em vídeo foram realizadas e estamos certos de que, pouco a pouco, o canal digital ganhará aceitação na área da saúde e será um recurso tão válido quanto qualquer outro. Sempre postulamos que, longe de substituir as consultas presenciais, nossa plataforma as complementa para melhorar a acessibilidade e o uso do tempo, tanto para médicos como para pacientes", disse o CEO Omar Paganini.
Por outro lado, eles desenvolveram uma nova ferramenta de consulta rápida, destinada a instituições que possuem equipes de especialistas e desejam que seus médicos possam consultá-los "ao toque de um botão", sem se mover ou atrasar, usando seus telefones celulares.
Fonte: O Observador
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