A evolução digital, o desafio de integrar mídias online e offline e a jornada do cliente foram os principais temas abordados durante a sexta edição do Dia do Comércio Eletrônico, evento organizado pela Câmara de Economia Digital do Uruguai (CEDU) e pelo Instituto de Comércio Eletrônico da América Latina para reunir os líderes da indústria.
Após uma abertura emocional em que o ex-presidente do Cuti e vice-presidente do CEDU, Álvaro Lamé, que faleceu no início de 2017, foi lembrado, o presidente do CEDU, Marcelo Montado, abordou a situação do setor.
"O Uruguai mudou muito. Mais de um milhão de uruguaios estão fazendo compras on-line. O comércio eletrônico passou de uma decisão de valor estratégico para uma decisão de valor em dinheiro", disse ele.
Marcos Pueyrredón, presidente do E-Commerce Institute, descreveu o evento, que contou com a presença de centenas de empresários, como "um sonho latino-americano". O que começou em um país em 2007, agora está posicionado em 12 países da região. Este rápido crescimento mostra a velocidade e o potencial que temos como indústria.
O crescimento estimado do setor nos próximos três anos é de 15% para a América Latina, enquanto no Uruguai espera-se que 50% das compras on-line em 2018 sejam feitas através de telefones celulares. Nos Estados Unidos, entretanto, espera-se uma diminuição do tráfego de pedestres em lojas físicas de 18.000 milhões em 2013 para 12.000 milhões em 2019.
Para o Country Manager do Mercado Libre, Rafael Hermida, "ainda há muito a crescer" no mundo digital no Uruguai. Ele explicou que as empresas devem traduzir seus conhecimentos de marketing offline para online, "encontrar a solução analógica no digital", disse ele.
"A nova ordem altera a ordem antiga e entre as duas acaba configurando uma terceira ordem", explicou Damián Lachaga, Gerente de Marketing da Mosca. "O mundo digital deve ter respeito pelo mundo físico, dados seus anos de atuação, mas ao mesmo tempo este último deve compreender as obrigações que implicam em se renovar", acrescentou o CEO da SommierCenter, Carmelo Ferrante.
O coordenador do Programa de Inclusão Financeira do Ministério de Economia e Finanças (MEF), Martín Vallcorba, e o gerente do Sistema de Pagamentos do Banco Central do Uruguai (BCU), Jorge Xavier, se referiram ao papel das políticas públicas no âmbito desses incipientes modelos de negócios.
"A inclusão financeira é um exemplo da contribuição das políticas públicas para o desenvolvimento da economia digital". Com ou sem lei, estão sendo feitos progressos em direção à digitalização", disse Vallcorba.
Xavier explicou que, neste contexto, o foco regulatório da BCU "deve ser baseado na identificação e tratamento de novos produtos e serviços, e não em quem são os participantes". Isto implica uma transformação da agência, pois ela deve "mudar a lógica, as necessidades e os incentivos dos diferentes atores".
Em um mundo globalizado, onde o acesso à informação é democratizado, as marcas estão enfrentando um cliente cada vez mais poderoso, com maiores exigências, portanto as empresas devem se esforçar ainda mais para oferecer a melhor experiência. "A demanda está lá, mas eu tenho que aprender a atendê-la", disse Gonzalo Sobral, Digital Business Development of Pyxis Indatha.
Neste contexto, o grande diferencial das empresas uruguaias, segundo o CEO da TocToc Viajes, Andrés Gil Petersen, será baseado na equação "MISA": Meios de pagamento, idioma, serviço de proximidade e parcerias com o ecossistema empresarial local. "No final, o que nos salva é estar no Uruguai", disse ele.
A reunião incluiu uma série de workshops sobre como criar um canal de vendas on-line, como integrar o marketing digital em empresas off-line e como melhorar a rentabilidade comercial com estratégias multicanais.
Durante o evento, o prêmio do Concurso de Iniciação ao Comércio Eletrônico, agora chamado "Álvaro Lamé", foi entregue à Smartmom, a primeira loja online de segunda mão que vende roupas, brinquedos e todos os tipos de itens para bebês e crianças. O projeto, fundado por Karina Durán em 2015, concorrerá para ser o melhor startup da América Latina.
"Somos uma empresa com muito pouco tempo de criação, portanto há muito o que fazer e crescer". Estamos trabalhando completamente online há sete meses e nosso objetivo é ser a loja de segunda mão de referência online. Acho que nosso empreendimento tem um potencial muito grande com alta demanda. O modelo de negócios hoje é muito claro e acreditamos que o consumo colaborativo e responsável é uma tendência futura", concluiu Durán.


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