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A Internet das Coisas se instala nas empresas uruguaias

16/11/17

A tendência de "coisas ligadas" começou a ser vista como uma oportunidade para as empresas locais.
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Ele ainda tem várias horas em seu dia de trabalho quando seus pais o chamam para avisá-lo que logo virão para ver seu novo apartamento. Naquele momento ele se lembra que é o aniversário de sua mãe, que ele não lhe comprou um presente e que saiu de sua casa em condições deploráveis.

 

Esta situação que poderia gerar estresse acompanhado de resignação por não poder fazer nada a respeito, em alguns países e para algumas pessoas não é mais um problema. A empresa Amazon aproveitou a possibilidade de estender a internet a qualquer objeto ou dispositivo para desenvolver Amazon Key, um serviço que foi lançado em 8 de novembro para clientes de seu serviço Prime e que deixa nas mãos da empresa o acesso a nada menos do que a casa.

 

Amazon Key permite o acesso, por exemplo, a um serviço de limpeza enquanto você está fora de casa e seus agentes também poderão deixar os produtos que você encomendar em sua casa. A idéia nasceu dos roubos freqüentes de embalagens deixadas nas portas dos compradores. A solução é uma espécie de kit constituído por uma câmera de segurança que permite ver o que a pessoa que entra em sua casa está fazendo ao abrir a porta com uma fechadura controlada remotamente.

 

Esta é a Internet das Coisas (IoT). O conceito é o de "coisas conectadas", ou seja, dispositivos eletrônicos que enviam e recebem informações pela Internet.

 

Para o gerente de marketing da Movistar Uruguai, Fernando Leis, falar sobre o IoT não é apenas falar sobre "uma questão técnica", mas sobre como melhorar a vida das pessoas, cidades e empresas. "Ele sintetiza hardware e software que acaba resolvendo um problema", disse Leis em conversa com o Café & Negocios.

 

A Amazônia é um dos exemplos mais recentes de sua aplicação em um negócio que encontrou uma oportunidade nas horas em que você não está em casa. O caso foi mencionado várias vezes durante o evento "IoT Day" organizado pela Movistar. "É brilhante como algo que parecia não ter solução parece ser tão simples". A solução estava em não ser", disse o Gerente de Desenvolvimento de Negócios de IoT na Telefónica Hispanoamérica, Juan Manuel Aguilar. De acordo com Aguilar, na IOT é importante concentrar-se no que tem a ver com uma necessidade concreta e real. Estima-se que este ano existam 9 bilhões de dispositivos conectados.

 

Aguilar observou que na Telefónica, a Internet das Coisas está acontecendo principalmente na América Latina.

 

A empresa tem oito unidades no continente que impulsionam seu crescimento e mais de mil profissionais focados em IOT em todas as categorias: "Sabemos que isto vai crescer muito, por isso reforçamos as capacidades.

 

Internet das Coisas vai além da automação, segundo o engenheiro de telemática e professor da UM, Nicolás Sosa, que foi palestrante no evento Disruptive Tech Day organizado pelo IEEM e pela Universidade de Montevidéu. "O que ele acrescenta é que, tendo tudo conectado à Internet, não apenas uma tarefa automática pode ser feita, mas estes objetos podem tomar ações baseadas no estado das coisas a qualquer momento e em outros dispositivos conectados", disse ele.

 

Sosa apresentou alguns números estimados pela consultoria McKinsey sobre o tamanho da indústria da Internet das Coisas até 2025, que estará entre US$ 4 trilhões e US$ 11 trilhões.

 

Ele observou ainda que a TI e as tecnologias operacionais foram outrora consideradas como mundos à parte. "Na última década as redes de TI conseguiram contemplar as necessidades do mundo mais operacional e conectar todas as coisas à Internet", disse ele.

 

Oportunidades no Uruguai

 

A área onde esta tecnologia encontrou mais clientes, de acordo com a Sosa, tem sido Business to Business (B2B). Ali "a indústria tem sido a estrela" porque, segundo Sosa, há uma clara possibilidade de reduzir custos e ser mais produtivo.

 

A agricultura é outro segmento com potencial para a aplicação da Internet das Coisas no Uruguai. A área de Pesquisa e Desenvolvimento da Telefónica, juntamente com a Faculdade de Agronomia e o apoio da ANII, está realizando um plano piloto com a empresa Frutisur. É um sistema de recomendação de irrigação para um ótimo desempenho. "O importante não é se eu tenho ou não água para as plantas. Onde há uma boa gestão da água, em vez de levar cinco anos para dar frutos, leva três", disse o Arquiteto Chefe da Telefonica I+D Chile, Pablo García.

 

IBM, Microsoft e Amazon têm plataformas IoT especialmente projetadas para gerenciar dados de dispositivos. Vários especialistas concordaram que a tecnologia já está "madura" e que está avançando exponencialmente.

 

Para o CTO da Genexus, Gaston Milano, é necessário "que os empresários entrem no mundo da IOT", para pensar em novos modelos. Ele deu o exemplo de uma empresa que vende máquinas de lavar; graças a sensores que detectam quantas lavagens são feitas, poderia mutilar seu negócio para entregar a máquina de lavar de graça e cobrar de acordo com o uso que é dado. Para Milano, a tecnologia está lá, mas "o que falta são pessoas com idéias".

 

"Nessa arquitetura, temos uma oportunidade para programadores, provedores de rede. Nós precisamos desse ecossistema", disse ele.

 

A Genexus trabalha em conjunto com a Microsoft e a IBM no desenvolvimento da tecnologia e é desta forma, cooperando entre si e de forma transparente que os especialistas recomendam começar a trabalhar para fornecer este tipo de soluções.

 

Por sua vez, o diretor de Estratégia Tecnológica da Microsoft América Latina, Hector Saldaña, disse que naquela empresa há ofertas desta solução que estão "prontas para consumir", com a intenção de simplificar a complexidade por trás da tecnologia. "De todos os casos que temos, o que é mais usado, embalamo-lo e o deixamos pronto para consumir", acrescentou ele. Ele explicou que, no caso dos sensores, a aplicação é mais simples do que se o que se busca é transformar um processo industrial.

 

Outro campo com oportunidades na implementação da IdC é o varejo. No Uruguai, Leis disse que no Uruguai há dispositivos inteligentes nas lojas Movistar que medem quantas pessoas entram, que faixa etária e para onde elas se deslocam, o que então ajuda a determinar onde é mais atraente colocar certos produtos. Esta é uma solução que está disponível e poderia muito bem ser aplicada em qualquer tipo de loja no Uruguai.

 

Ele acrescentou que as empresas não vêm a eles pedindo a concessão de uma licença sem vencimento, mas o que eles procuram é resolver um problema em particular. Na moda, lembrou o CEO da Memory, Roni Lieberman, já estão começando a utilizar testadores virtuais. O faturamento móvel é outro exemplo de aplicação da Internet das Coisas no Uruguai.

 

Sem egoísmo

 

A Internet das Coisas é um amplo ecossistema e, por isso, vários especialistas não hesitaram em indicar a importância de trabalhar em colaboração, sem egoísmos e com transparência para seguir adiante. "Precisamos que as empresas trabalhem abertamente mostrando seus produtos para integrar tudo no ecossistema", disse Sosa. Por sua vez, Aguilar da Telefónica enfatizou que a forte posição que alcançaram na IdC é alcançada trabalhando com parceiros e, neste ponto, é importante escolher alguém com experiência para ajudar a implementar tais soluções.

 

30 bilhões de dispositivos estarão conectados à Internet até 2020. Destes, 60% serão através de sistemas IoT.

 

 

 

Fonte: O Observador

 

 

 

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