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Sebastián Stranieri: o hacker argentino que chegou ao Uruguai e procura aumentar a segurança cibernética

21/04/21

"Minha chegada é enquadrada por um papel de acompanhamento", explicou Sebastián Stanieri, argentino e fundador da empresa VU Security. Sua esposa, Valeria Pardal, assumiu o cargo de nova gerente geral da Nestlé no Uruguai e toda a família Stanieri se mudou para Montevidéu há alguns meses.
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O esporte, o tempo ao ar livre e os momentos com seus filhos marcaram a rotina do argentino, que diz sentir-se muito confortável no Uruguai, especialmente pelo calor com que eles foram tratados. Em termos de trabalho, a empresa do empresário se concentra em aspectos de segurança cibernética e nasceu com uma forte impressão digital, portanto, o trabalho remoto nunca envolveu grandes esforços para Stranieri.

O Uruguai não é um território estrangeiro para a empresa argentina. A VU está presente nestas terras desde 2012, quando começaram a fornecer soluções de cibersegurança para o Banco República, Itaú e o Hospital Britânico.

Isto, de certa forma, facilitou a adaptação rápida de Stranieri e agora eles estão procurando ampliar a equipe de trabalho. "Esperamos criar um laboratório de pesquisa e desenvolvimento com 10 a 15 desenvolvedores focados em segurança cibernética", disse ele.

Fora dos planos profissionais, o empresário argentino comentou que está fascinado com o Uruguai. Não apenas pela simpatia dos uruguaios, mas também pelo conforto que encontraram em Montevidéu, algo que acaba facilitando a vida de trabalho tanto de Stranieri como de sua esposa. O casal -ambos os CEOs-, puderam desfrutar de mais tempo com seus filhos, já que na Argentina as distâncias são maiores e houve passeios a que não puderam ir por falta de tempo."Enquanto um vai correr, o outro fica com as crianças fazendo castelos de areia na praia ", disse Stranieri.

Algo que não mudou é que o trabalho está sempre presente. Cada jantar acaba sendo uma reunião de diretoria, o empresário riu. Como os dois executivos, eles freqüentemente discutem e falam sobre planos, revisões, melhores práticas e equipes. "A realidade é que ambos somos apaixonados pelo que fazemos, então é difícil fugir disso", acrescentou ele.

Da mesma forma, eles tentam deixar o trabalho no escritório quando estão com seus filhos ou nos fins de semana quando vão de férias. Eles fazem isso não apenas para sua própria saúde mental, mas também para o bem-estar da família e para equilibrar o trabalho e a vida familiar.

O Israel da América Latina

Em 2013, Stranieri foi homenageado com o Prêmio Technology Review Award do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Isto confirmou que o empresário estava no caminho certo e, em suas próprias palavras, foi capaz de combinar sua profissão de hacker com perspicácia comercial.

Localmente, o especialista acredita que o Uruguai está fazendo esforços para desenvolver inovação em termos de segurança cibernética. Sendo uma questão que hoje não pode ser negligenciada, pois acaba sendo prejudicial às empresas, a alocação de recursos em conjunto com um treinamento adequado é fundamental.

Stranieri não só acredita que o Uruguai está no caminho certo, mas que tem condições de ser um pioneiro na região. Isto o excita a contribuir com seu grão de areia e para que o país se torne o "Israel da América Latina".

Motivação para se tornar um hacker

A médio prazo, veremos se o país conseguiu agarrar a oportunidade ou deixá-la passar. Um ponto que será essencial é encorajar mais estudantes a fazerem carreiras relacionadas à segurança digital. "Ascrianças que estão saindo do ensino médio e estão no período de transição com a universidade, temos que motivá-las a serem hackers", explicou Stranieri.

Ele deu como exemplo que, a nível pessoal, encontrou essa motivação e quando percebeu que já tinha habilidades suficientes do ponto de vista tecnológico, combinou-as com aspectos comerciais. Foi quando ele se tornou um empresário. "Tornei-me um cara que percebeu que poderia gerar benefícios para as empresas", disse enfaticamente.

No nível acadêmico, existe, por exemplo, a carreira de cibersegurança recentemente lançada pela Universidade ORT. Stranieri destacou neste sentido o papel e a visão do reitor da Faculdade de Engenharia da ORT, Eduardo Mangarelli, já que graças a sua experiência e sua proposta, foi aberto um precedente.

Na verdade, a VU lançará um treinamento básico que terá uma certificação em cada um dos países onde a empresa está presente. A idéia é que ela será 100% gratuita e permitirá que você aprenda o básico para entrar no mundo dos hackers.

Prioridades

A pandemia trouxe luz à indústria da segurança cibernética, já que muitas empresas começaram a sofrer ataques digitais. O VU cresceu cerca de 100% no último ano e as perspectivas para o curto prazo são de continuar nesta curva ascendente.

A fim de continuarmos a surfar a onda, o especialista comentou que devemos começar a dar atenção especial à identidade digital. Isto significa ser capaz de cuidar e proteger os clientes em cada um dos papéis que eles assumem em sua vida diária.

"Eu, digitalmente, não sou o mesmo no trabalho que estou no banco ou quando pago um imposto", disse Stranieri. O passo fundamental será ser capaz de identificar de forma única a pessoa e assim protegê-la de possíveis ataques que acabem afetando sua vida diária.

O outro ponto importante é proteger a infra-estrutura a nível nacional. 

Isto significa prevenir certos ataques, como os que ocorreram nos últimos meses e que vitimaram laboratórios nacionais que trabalham em questões relacionadas com a pandemia. "É obrigatório poder investir nestas questões", resumiu Stranieri.

Além dos desafios do setor, o empresário está confiante de que o Uruguai pode começar a mover a agulha do resto do continente. "O Uruguai combina boas possibilidades com um excelente bem-estar para viver. Voltamos ao início: o tempo dirá se aproveitamos a oportunidade ou se ficamos parados", disse Stranieri.

https://www.elobservador.com.uy/nota/el-hacker-argentino-que-busca-convertir-a-uruguay-en-el-israel-de-la-ciberseguridad-202133016280

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