Os novos modelos de negócios baseados nas tecnologias da informação abriram um mundo de oportunidades que exigem novas respostas legislativas, educacionais e políticas. Para analisar este fenômeno, a Câmara de Economia Digital do Uruguai (CEDU) convocou um painel de destaque composto pelo engenheiro Juan Grompone, membro da Academia Nacional de Engenharia; o economista Gabriel Oddone, sócio da CPA Ferrere; o contador Carlos Lecueder, diretor do Estudio Luis E. Lecueder; o engenheiro Max Cortés, gerente de expansão da Uber Latin America, e o economista Diego Vallarino, professor do curso de pós-graduação em Sistemas de Informação Organizacional da Faculdade de Economia e Administração (FCEA).

Em seu discurso, Oddone disse que a economia digital "desafia as políticas públicas em várias dimensões", entre as quais ele mencionou as regulamentações trabalhistas e tributárias, educação, comunicação e relações internacionais. "Hoje, nos Estados Unidos, 34% das relações trabalhistas não são dependentes. Ele também se referiu aos limites da soberania diante deste novo modelo de negócios, o que implica a presença de empresas em diferentes países, onde elas utilizam mão-de-obra autônoma e muitas vezes evitam o pagamento de impostos, o que leva a dificuldades na tributação.
Oddone disse que soluções para estas novas exigências estão sendo procuradas globalmente e questionou a posição do Uruguai sobre o assunto. "Isto está sendo resolvido na TISA, onde decidimos não estar. Estes são os desafios que as políticas públicas têm pela frente. Você tem que manter a mente aberta para saber o que está acontecendo no mundo", disse ele.
A chegada de Uber ao Uruguai é um claro exemplo do descompasso gerado pela economia digital em uma estrutura regulatória ultrapassada. "Colidimos com as regulamentações feitas para um mundo que não teve esses avanços", disse Max Cortés, gerente de expansão da empresa na América Latina, no fórum, embora ele tenha reconhecido que é normal que as regulamentações cheguem depois da inovação.
Do campo comercial, o contador Lecueder disse que no Uruguai o caminho a seguir é a complementação dos canais de vendas, um conceito conhecido como omnichannel. "A idéia é permitir que as pessoas possam comprar on-line e pegá-lo na loja, onde podem experimentá-lo". Isso permitirá ajustar custos, variedade, serviço e combinar fatores de forma a obter um resultado melhor. É nisso que estamos trabalhando", disse ele.
O empresário explicou que o consumidor uruguaio ainda valoriza a experiência de compra, o que permite o acesso direto ao produto antes de adquiri-lo. No mesmo sentido se expressou Diego Vallarino, que se referiu à mudança de um padrão de consumo que vai "da economia de posse do bem para a economia de acesso".
Por sua vez, o engenheiro Grompone disse que o mundo está entrando numa nova fase da era capitalista, que ele definiu como a "fase da sociedade da informação". Neste cenário, surgem novos negócios e desaparecem os antigos, os intermediários são deixados para trás e a chegada ao consumidor é muito mais direta, e como exemplo deste progresso, ele mencionou a tendência atual de comprar livros que são impressos no local, o que significa que a editora não é mais necessária. Nessa linha, ele disse que "é possível que Uber, que é um intermediário, acabe se eliminando". Ele inventou algo que vai matá-lo".

O fórum foi realizado pelo CEDU na Aula Magna da FCEA. Na abertura do evento, Rodrigo Arim, reitor da Faculdade, destacou a importância da mudança tecnológica, "que está na base do progresso humano". "Vivemos em uma época em que a tecnologia digital está transformando radicalmente nossa vida diária e a organização da economia", disse ele, observando que um dos desafios que o governo e o setor educacional enfrentam ao elaborar políticas públicas é "como formar mais e melhores profissionais capazes de se adaptar a um mundo em mudança e de trabalhar em novos modelos de negócios ligados à economia digital".
Marcelo Montado, presidente da Câmara, explicou que sua intenção era "lançar luz sobre as transformações que estão ocorrendo na sociedade" e assegurou que o mundo "está passando por um momento fascinante de evolução".
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