Desde 1º de janeiro deste ano, o acordo assinado entre o Reino Unido e o Uruguai para evitar a dupla tributação das empresas de um desses dois países que desejam investir no outro - e também para combater a evasão fiscal - começou a ter efeito. A Embaixada Britânica em Montevidéu realizou ontem um evento para explicar os benefícios deste acordo e expor como são hoje as relações comerciais entre a ilha e nosso país.
Só para se ter uma idéia, dentro das perspectivas de pagamentos feitos a partir do Reino Unido, sem um acordo, as empresas têm uma retenção de 20% sobre os royalties. Entretanto, com o acordo assinado com nosso país, a taxa cai para 10%. No caso oposto, com pagamentos do Uruguai, a retenção de royalties é de 12% se não houver acordo, mas com o acordo com a ilha, ela se torna de 10%.
O interesse de instituições como a Câmara de Comércio Uruguai-Britânica é que, com a ajuda do novo acordo e das atrações deste país, os investimentos continuem a vir do Reino Unido. De acordo com dados fornecidos pelo Uruguai XXI, entre 2001 e 2016, o investimento britânico líquido em nosso país totalizou US$423 milhões.
No evento, o diretor do Departamento de Consultoria Tributária e Jurídica da KPMG, Luis Aisenberg disse que existem várias vantagens no Uruguai, potencializadas pelo referido tratado, que, precisamente, podem fazer chegar mais investimentos britânicos. É o caso da estabilidade social e política, força financeira institucional, regime tributário favorável, bom clima de negócios, transparência e localização do país.
Todos estes aspectos significam que hoje existem grandes oportunidades de investimento em setores específicos. A área de software e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) oferece importantes isenções quando se trata de prestar serviços no exterior em termos de IVA e Imposto de Renda sobre Atividades Econômicas, por exemplo, de acordo com Aisenberg.
Em infra-estrutura há também boas possibilidades de investimento, especialmente devido ao surgimento de mega projetos e se for levado em conta que o Reino Unido foi um dos primeiros países a implementar parcerias público-privadas (PPP). De acordo com o especialista em impostos da KPMG, este sistema será a chave para atrair investimentos britânicos deste tipo.
Energias renováveis, logística, "centros de serviços compartilhados" e agronegócios são outros setores que apresentam climas favoráveis para atrair investimentos da ilha.
Fonte: Infonegocios
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