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O Uruguai "é o Vale do Silício da América do Sul".

20/04/18

O Uruguai "alcançou proezas tecnológicas que parecem estatisticamente impossíveis para um país de seu tamanho" e "descobriu que a tecnologia é seu DNA".
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Um artigo de Christian Serron, diretor da Bros, publicado na plataforma Medium, analisa o desenvolvimento do Uruguai na indústria de software sob o título: "Uruguai: o Vale do Silício da América do Sul", no qual ele faz comparações entre o que levou a Califórnia a liderar a inovação tecnológica mundial com o processo experimentado pelo Uruguai.

 

"Sei que alguns de vocês estão pensando: 'Onde está o Uruguai? Aconchegado entre o Brasil e a Argentina, com uma população de 3,5 milhões de habitantes em um território menor que o estado do Missouri, o Uruguai é mais conhecido por suas belas praias, seu gado e sua paixão pelo futebol. Entretanto, com US$ 1,2 bilhões gerados em tecnologia da informação em 2016 e em constante expansão, e com 700 empresas de tecnologia exportando software para 52 mercados diferentes, o Uruguai é também o principal exportador de software per capita na América do Sul e o terceiro maior do mundo", começa a nota.

 

"Parece verdade que o Uruguai tem uma grande cultura de desenvolvimento, mas chamá-lo de Vale do Silício da América do Sul pode ser um pouco presunçoso, você não acha? Alerta de spoiler: não é", diz ele.

 

Ele continua observando que Harvard identificou o Uruguai como "um dos centros de desenvolvimento de software mais avançados da região" e lembra uma citação de Tina Seelig, diretora do Programa Stanford Technology Ventures da Universidade de Stanford, que disse: "Minha primeira viagem ao Uruguai foi um abrir de olhos. Eu não tinha idéia de que este pequeno país tinha tanto a oferecer. Do espírito empreendedor ao magnífico litoral, é evidente que o Uruguai está pronto para assumir a cena mundial".

 

Segundo o artigo da Bros, assim como o sucesso do Vale do Silício não é um produto do acaso, o sucesso da TI no Uruguai é "o resultado de um plano mestre sofisticado do governo, combinado com uma série de circunstâncias oportunas". E ele enumera as razões.

 

Subsídios governamentais: compare como São Francisco recebeu apoio maciço do governo dos EUA desde o final dos anos 70 para incentivar a inovação em tecnologia. Da mesma forma, "benefícios fiscais notáveis e incentivos governamentais foram aplicados pelo Uruguai na última década", como o decreto 150/2007 que isenta impostos sobre a exportação de software.

 

Talento: destaca como em 2008 o Uruguai se tornou um dos primeiros países do mundo a implementar o programa One Laptop per Child, que permitiu que 300.000 crianças de escolas públicas tivessem seus próprios computadores.

 

Espaço: compare o que o Vale do Silício tem feito em espaços de coworking com o que acontece no Uruguai, onde são criados espaços de trabalho comuns que reduzem custos e mitigam o isolamento de muitos empresários que de outra forma trabalhariam em casa. As "zonas francas" também são notadas pelas facilidades e incentivos econômicos que proporcionam.

 

Infra-estrutura e condições naturais: o Uruguai é um centro logístico regional (graças a seu porto natural), mas também é líder em comunicações de acordo com o Índice de Desenvolvimento de Comunicação, que mede a penetração da Internet, o uso do telefone celular e outros índices relacionados. A isto se soma a "excelente infra-estrutura de comunicação", combinada com afinidade cultural com a Europa e os Estados Unidos e um fuso horário semelhante.

 

Ambiente empresarial: os uruguaios são inovadores, de acordo com a nota em Meio, que lembra que o primeiro marcapasso nasceu aqui ou que a primeira mamografia foi realizada. "O Uruguai realizou proezas tecnológicas que parecem estatisticamente impossíveis para um país deste tamanho", escreve Christian Serron. O país tem "uma próspera indústria iniciante, notável especialmente em jogos, semelhante ao que era antes o Homebrew Computer Club em Menlo Park, Califórnia".

 

"Seria ingênuo atribuir o sucesso do Vale do Silício unicamente à combinação destes cinco fatores, ou acreditar que esta mistura de culturas, talento e inovação não poderia acontecer em nenhum outro lugar. Um olhar atento sobre a história dos eventos pode lançar alguma luz sobre o que transformou uma pequena área do norte da Califórnia na meca tecnológica que é hoje. E, mais importante ainda, nos dá algumas pistas sobre como replicar este cenário no Uruguai, um país que descobriu que a tecnologia é seu DNA", conclui ele.

 

 

 

Fonte: Portal de Montevidéu

 

 

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