Entre os grandes desafios para este ano, o representante da CUTI, Leonardo Loureiro, disse que estão trabalhando para consolidar mercados importantes como os Estados Unidos, mas também procuram restabelecer o fluxo de exportação de outros países como o Brasil, que desapareceu dos 10 países do ranking de exportação em 2016.
"Para nós é uma questão em que devemos trabalhar muito, porque temos perdido o peso que a América Latina tinha antes, então, é por isso que estamos trabalhando com mercados diferentes, por isso fizemos a Missão à China, e estamos estabelecendo reuniões para fazer um trabalho forte no México, no ano passado realizamos reuniões com o Chile porque buscamos o crescimento de um conjunto de mercados", acrescentou Loureiro.
Uma vez alcançada esta abordagem, assume o especialista em tecnologia, vem outro grande desafio para a área de suma importância. "Deve haver pessoas que possam realizar estes projetos, então uma das coisas que estamos trabalhando arduamente é o treinamento para encorajar novas gerações a se aventurarem nas tecnologias, especificamente nestas áreas, para isto consolidamos no ano passado o projeto Jovens a programar, a idéia é que eles sejam treinados e incorporados ao mercado de trabalho automaticamente".
Portanto, a questão do capital humano, um elo decisivo para assegurar a viabilidade dos serviços nos quais a indústria uruguaia de TIC é especializada, é uma preocupação do setor. Loureiro admite que "novos talentos são necessários na indústria, por isso queremos que os jovens se inclinem para esta área do conhecimento, eles podem ser engenheiros, economistas que entendem que é uma boa opção para se preparar e trabalhar no campo". Esse talento deve consolidar e fazer crescer o setor, precisamos de muito mais pessoas do que aquelas que estão sendo treinadas diretamente em tecnologia da informação, queremos reverter essa falta.
Para promover todos esses planos e continuar a avançar, a indústria tecnológica gera importantes vínculos com o governo nacional e o meio acadêmico. "Estamos trabalhando lado a lado com o Estado e as universidades, posso dizer que, felizmente, eles têm uma formação muito boa e todas as pessoas que se formam são empregadas, o que é muito importante, mas a questão é que a quantidade não dá, e estamos trabalhando nisso, mostrando as vantagens de estudar carreiras relacionadas à tecnologia. Também precisamos de mais doutorados, mestrados, programadores, designers, é nisto que estamos trabalhando, e não estamos apenas incluindo treinamento, mas também aumentando a conscientização do novo mundo tecnológico".
Segundo um relatório do Uruguai Smart Services, do Uruguai XXI este ano, retirado de seu website, a preocupação com a falta de trabalhadores qualificados faz com que as empresas estrangeiras se voltem para o exterior para preencher vagas, "apesar disso, a empresa de tecnologia britânica Endava está desembarcando no Uruguai através da compra, ocorrida no final do ano passado, da American Velocity Partners, que tem presença no país com dois centros de desenvolvimento de software", detalha o relatório.
Esta falta de recursos humanos qualificados no país já é considerada "um problema" para as empresas; como conseqüência, elas devem deslocar projetos específicos para outros países. "Nós nos desenvolvemos na Índia, porque há recursos disponíveis lá, e se o fizéssemos aqui (Uruguai), levaria meses para montar a equipe. É um problema hoje", disse Rafael Cuenca, vice-presidente de engenharia da Veri Fone no Uruguai.
Atrair talento como remédio
Levando em conta este problema de escassez de mão-de-obra, há um ano e meio, o Uruguai XXI - juntamente com o Ministério das Relações Exteriores e a Direção Nacional de Migração - concordou em conceder residência temporária e vistos para os trabalhadores estrangeiros contratados por empresas uruguaias no prazo de oito dias.
Segundo a coordenadora do setor de TIC do Programa Global de Serviços do Uruguai XXI, Isabella Antonaccio, citada no mesmo relatório, esta solução foi amplamente utilizada pela empresa indiana Tata Consultancy Services (TCS). "Mais de 100 pessoas vieram da Índia, além de pessoas de Cuba e Venezuela, com um bom nível técnico", explicou Antonaccio. A empresa deve solicitar residência e um visto, explicando que já contratou a pessoa, o cargo que ela ocupará e o salário. A residência é concedida por dois anos e pode ser renovada por mais dois. O Uruguai é competitivo para as empresas que oferecem serviços de alto valor agregado para se estabelecerem no país.
Interesse generalizado
Alguns ministérios também mostram grande apoio às preocupações do setor e estão financiando 100% dos projetos de pesquisa e treinamento. Segundo o site do Ministério da Indústria, Energia e Mineração (MIEM), no final do ano passado, foi feito um chamado para o Fundo Setorial de Pesquisa com base em dados, que tem como objetivo financiar projetos de pesquisa destinados a gerar conhecimento aplicado a partir da exploração dos dados nacionais disponíveis.
Este fundo foi criado em conjunto com a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII) com o objetivo de gerar experiência em metodologias avançadas, facilmente transferíveis para outros domínios. Espera-se que a experiência e o conhecimento gerados mais tarde levem a mudanças em diferentes processos do sistema produtivo nacional.
Por sua vez, a Faculdade de Comunicação e Desenho da Universidade ORT do Uruguai, também se ocupa e prepara as novas gerações com outro tema que ainda é importante para os novos tempos, a análise de dados em redes. O portal desta casa de estudos cita que "a mineração de dados ou Big Data não é nova, a novidade é que a tecnologia permite o acesso a uma quantidade inimaginável de dados há muito tempo e usá-la narrativamente". Para extrair informações dessa enorme quantidade de dados, um comunicador precisa de habilidades em áreas tais como estatística, design e programação.
Esta é outra área que vem para fortalecer as TIC no Uruguai, porque não é um curso de matemática ou estatística, ou programação ou design, mas terá um pouco de tudo com o propósito específico de tomar os dados como fonte para contar histórias e apresentar relatórios de interesse aos leitores, conceitualiza o portal universitário para incentivar futuros candidatos universitários a se capacitarem nesta área.
Software feito no Uruguai
Durante 2013, um cenário encorajador e progressivo foi vislumbrado para o setor de tecnologia uruguaio e seus objetivos de exportação, quando o país participou da Feira ITXPO realizada em Orlando (EUA).Carolina Vilarrubia, que atuava como cônsul em Miami na época, disse que "o software é um dos principais produtos de exportação do Uruguai" com "perspectivas crescentes", depois que em 2005 representou 100 milhões de dólares, em 2011 a cifra chegou a 265 milhões de dólares e ela previu que em 2020 poderia chegar a um bilhão de dólares.
Por esta razão, ele considerou que a inovação e o desenvolvimento tecnológico são um "pilar para o desenvolvimento" do país e, além disso, representam mão-de-obra qualificada. "Software e TICs são fundamentais para o Uruguai", disse ele ao destacar a importância da educação na área das TICs para o governo nacional e lembrou que o Plano Ceibal tem permitido um impulso fundamental e a familiaridade dos estudantes com as novas tecnologias.
Omar Paganini, vice-reitor de Gestão e Desenvolvimento Econômico da Universidade Católica do Uruguai, admitiu nesse evento que o Uruguai teve uma das "primeiras carreiras de engenharia informática na América do Sul e é por isso, talvez por causa disso, que temos uma indústria de software muito poderosa".
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