As Nações Unidas colocaram o Uruguai entre os países mais avançados em governo eletrônico, já que é o único estado latino-americano a alcançar esta "elite". Assim, o Uruguai recebe outro reconhecimento em uma área na qual vem colhendo uma conquista atrás da outra.
Embora o Uruguai esteja na mesma posição mundial (34º) que na última edição do ranking elaborado a cada dois anos pelas Nações Unidas, sua pontuação melhorou e ultrapassou o limiar de 0,75 que separa o "bom" do "muito bom". Especificamente, passou de 0,7237 para 0,7858 em uma escala de 0 a 1.
O Chile é o país da região que mais se aproxima do Uruguai, embora não entre no grupo de elite e seja relegado ao 42º lugar no mundo. É seguido pela Argentina e pelo Brasil, nessa ordem.
As Nações Unidas realizam estas medições de desempenho desde 2001 e desta vez, em sua décima edição, destaca a agenda digital do Uruguai. Diz que o país tem uma política clara para conseguir que 100% dos procedimentos da Administração Central possam ser feitos on-line do início ao fim e que é suficiente interagir com o Estado através de uma única entrada.
Embora possam parecer abstratos, os avanços na digitalização têm um impacto direto sobre os cidadãos, disse José Clastornik, diretor da Agência de Governo Eletrônico (Agesic). "As Nações Unidas estão insistindo na disponibilidade de dados para tomar decisões, na eliminação da burocracia, na cibersegurança, em cidades inteligentes", disse ele ao El País. Todos são "elementos que afetam a qualidade de vida", disse ele.
Clastornik, que soube dos resultados em Tbilisi, Geórgia, onde participa de uma conferência internacional sobre governo aberto, exemplificou o impacto: "A denúncia policial pode ser tão simples quanto preencher um formulário on-line sobre onde ocorreu um acidente de trânsito. "Mas se formos um pouco mais fundo, esse relatório pode interagir com a frota de veículos; pode exigir uma assinatura eletrônica do reclamante; pode conhecer o georreferenciamento; pode fazer um mapa de calor em que cantos ocorrem mais acidentes; pode saber se os carros estão segurados ou se tiveram multas anteriores; pode dar informações aos serviços médicos que vão ajudar ou ao Ministério Público antes de um julgamento", acrescentou ele. Tudo está em bancos de dados para tomar decisões ou para que a academia e a sociedade civil - como a Fundación Gonzalo Rodríguez - façam suas análises.
As Nações Unidas estão pedindo a seus Estados membros que usem tecnologia e informações georreferenciadas para evitar o impacto das crises climáticas ou a atenção personalizada de sua população. O Uruguai tem hoje uma das conexões de Internet mais rápidas e amplas (quase não há diferença por nível socioeconômico) e que pode contribuir para "democratizar a informação".
A Dinamarca, que estava em nono lugar, ocupa agora o primeiro lugar no ranking e, de acordo com as Nações Unidas, é o país que mais se destaca. Por quê? Ela estabeleceu por lei a interação digital com o governo. E foi o líder na criação de embaixadas digitais, um campo no qual o Uruguai quer se aventurar. "Isso permite que você possa re-segurar suas informações digitais, depositando-as no "território" de outro país (foi o que aconteceu com a Estônia diante da ameaça de ataques cibernéticos da Rússia)", explicou Clastornik.
As autoridades uruguaias estimam que a próxima edição verá "uma melhoria maior", pois há projetos em andamento e o país agora faz parte do D7 - o grupo dos sete estados mais digitalizados.
Fonte: El País
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