A Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e realidade aumentada tomou conta do Mobile World Congress (MWC) e definiu as tendências que acompanharão a indústria móvel no mundo, apoiada por uma nova geração de redes: a 5G. Os representantes do Uruguai eram poucos, mas voltaram com a promessa de conseguir uma maior participação do país nesta grande cúpula que no final de fevereiro se reuniu em Barcelona para cerca de 108.000 participantes.
Além do esperado lançamento do Galaxy S9 da Samsung (que inovou em realidade aumentada e IoT) e a premiação do iPhone X como o melhor telefone de 2017 no Global Mobile Awards (embora a Apple não tenha estado presente no Congresso), grandes inovações que transcendem os telefones se destacaram no maior evento do setor.
O enorme salão de exposições foi o palco para modelos de smartphones capazes de suportar até 400°C, umidade extrema e choques (de empresas como Caterpillar e Crosscall) a outras que procuram preservar a segurança para aqueles que investem em moedas criptográficas, tais como bitcoins. Este último é o caso do SiKurPhone, cujo sistema operacional não permite o download de aplicativos de terceiros, o que tornaria o telefone menos exposto a ser hackeado.
Em uma feira que denotou como tecnologias antes consideradas "futuristas" estão se tornando realidade, o produto mais "retro" foi talvez a versão com conectividade 4G do modelo Nokia 8110, que teve seu apogeu nos anos 90 (quando era popularmente conhecido como telefone banana, pela curvatura que forma a tampa ao deslizar).
O carro como um gadget
Algumas das inovações mais marcantes foram aquelas que aproveitam a interconexão de dispositivos, ou seja, a LOC.
A Samsung mostrou como pode melhorar a experiência em tarefas relacionadas com a casa, enquanto outras empresas deram um papel de liderança ao carro no que parece ser o caminho para veículos autônomos.
Por exemplo, a Toyota exibiu o Smart Device Link, uma plataforma que conecta o smartphone com o sistema de navegação de um carro ou motocicleta, para evitar que o motorista tire os olhos da estrada. Enquanto isso, Seat (a montadora espanhola nas mãos da Volkswagen) mostrou seu carro com um bafômetro incorporado: se o motorista tiver álcool no sangue, ele não liga o motor e se oferece para chamar um táxi ou outra pessoa.
A Huawei, por sua vez, apresentou um smartphone com inteligência artificial para dirigir um Porsche Panamera. Cheng Zhu, chefe da área de IOT da empresa, disse no MWC que 2018 verá uma espécie de big bang de redes que interconectam dispositivos.
Em direção a uma rede 5G
O esforço para melhorar a infra-estrutura subjacente às novas tecnologias foi evidente na MWC. Vodafone, Nokia e Audi, por exemplo, anunciaram que estão trabalhando para instalar a primeira rede móvel 4G na Lua no próximo ano.
Mas, no planeta Terra, o grande desafio é evoluir para uma rede 5G (quinta geração), cuja conexão móvel é cerca de 1.000 vezes mais rápida do que a 4G disponível no mundo desenvolvido.
No início de 2017, apenas 60% da população mundial tinha acesso à rede 4G, de acordo com dados da GSMA (a associação que organiza o MWC, que reúne mais de 800 operadores em todo o mundo). No Uruguai, uma rede que representa um avanço já está disponível: a 4.5G. O primeiro a lançá-lo foi a Antel, que fez o anúncio em dezembro declarando que permitirá a transmissão em 4K de todas as partidas da Copa do Mundo de 2018 na Rússia.
A GSMA estima que a quinta geração chegará à Europa em 2019 e à América Latina um ano depois. Até 2025, espera que o número total de conexões 3G ultrapasse 50 milhões na região.
Um estande para o Uruguai
A Ministra da Indústria, Carolina Cosse, participou do Congresso como palestrante no painel "Expansão dos Serviços Digitais para o Próximo Bilhão". Em entrevista ao El Empresario, ela destacou que "o investimento em infra-estrutura de telecomunicações nunca pode parar" e que a Antel já desenvolveu uma plataforma pública para o IoT.
Em Switch foi a única empresa uruguaia presente na MWC (pelo segundo ano consecutivo) e Cosse tentará assegurar que o país tenha seu próprio estande em 2019. "Vou fazer esforços para que o Uruguai tenha um lugar. Já o levantei formalmente", disse ela. Entretanto, a chave é gerar redes de contato para que este novo ecossistema inovador possa crescer.
Quatro casos inovadores
1 - Samsung
Se você foi ao supermercado sem uma lista de compras, você pode pedir ao seu telefone para mostrar o que está na geladeira. Ou para ligar o forno para que você possa começar a preparar o almoço. Ou perguntar se vai ser um dia ensolarado e dizer-lhe para ligar a máquina de lavar roupa. O assistente virtual da Samsung, Bixby, torna isso possível através da conexão desses dispositivos. Os novos smartphones Galaxy S9 permitem até mesmo saber através da realidade aumentada quantas calorias um alimento tem ao apontar a câmera para ele e assim ajustar sua dieta diária e exercícios.
2 - Toyota
Para evitar que o motorista tire seus olhos da estrada e assim facilitar uma mobilidade mais segura, a Toyota introduziu o Smart Device Link, que conecta o smartphone do usuário com o sistema de navegação. Desta forma, é possível dispensar o telefone e utilizar somente a tela do veículo. A tecnologia (que também é compatível com as motocicletas Suzuki) oferece um formato "fácil de ler", responde a comandos verbais e também bloqueia aplicações que poderiam distrair o motorista.
3 - Huawei
O gigante da tecnologia chinesa mostrou como seu smartphone Mate 10 Pro pode usar inteligência artificial para dirigir um Porsche Panamera, pois ele detecta e entende os estímulos ao seu redor. Com uma câmera no teto do carro, ela distingue 1.000 objetos diferentes (como um cachorro, uma bola, uma criança ou uma bicicleta) e os esquiva quando se movimenta em linha reta. Assim, a empresa demonstrou as capacidades de seu smartphone, embora tenha esclarecido que não planeja desenvolver um sistema de direção autônomo para veículos.
4 - Em Switch
A In Switch do Uruguai (que compete contra gigantes como Huawei, SAP, Ericsson, Amdocs e Comviva-Mahindra) foi reconhecida por ser a primeira empresa no mundo a implementar um padrão de interoperabilidade para a inclusão financeira e a redução do fluxo de caixa dos ecossistemas. Suas plataformas realizam mais de nove milhões de transações financeiras por hora, com clientes como o Banco Nación da Argentina e a TigoMoney Paraguay. No MWC, seu vice-presidente de vendas, Líber Fernández, participou como palestrante convidado de um seminário sobre inovação e pagamentos digitais.
Fonte: El País
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