Representantes da Agesic, Cuti (Câmara Uruguaia de Tecnologia da Informação), da Faculdade de Economia e Administração e da CEDU (Câmara Uruguaia de Economia Digital) se reuniram para trocar opiniões em uma mesa redonda intitulada "Uruguay Digital: Governo, Universidade e Setor Produtivo". A agenda busca integrar diferentes iniciativas que visam o desenvolvimento da sociedade da informação e das tecnologias.
A agenda do Uruguay Digital 2020 está agora em sua quarta edição. É uma iniciativa da Agesic (Agenda de Gobierno Electrónico y Sociedad de la Información y del Conocimiento) que está focada na transformação digital, baseada na inclusão e sustentabilidade no uso das tecnologias.
De acordo com Javier Barreiro, diretor de operações da Agesic, a agenda se baseia em quatro pilares. A primeira delas está relacionada às políticas sociais e de inclusão. Ele vê as tecnologias da informação como um mecanismo para reduzir as lacunas e aumentar as capacidades.
O segundo pilar visa o desenvolvimento econômico e sustentável em uma economia digital. "Esta agenda quer ir além de gerar infra-estrutura para que a tecnologia seja realmente um capacitador para a construção de capacidade", explicou Barreiro. Além disso, há objetivos para começar a incorporar elementos da Internet das coisas no relacionamento cidade-estado. Um exemplo é um dispositivo da Internet das Coisas que pode medir a qualidade da água na bacia do rio Santa Lucía.
Sobre este exemplo, Mario Tucci, diretor da Cuti, disse: "Tenho a impressão de que, em parte desta agenda, há explicações de coisas que o governo não sabe como resolver e então diz: 'agora vou resolver com sensores na bacia de Santa Lucía'". Segundo ele, o governo está explicando do ponto de vista da tecnologia alguns aspectos que não pode resolver a partir do funcionamento funcional de seu governo.
O terceiro pilar da agenda diz respeito à governança. Isto é basicamente composto de dois objetivos. Um primeiro objetivo está relacionado à proximidade do governo, e um segundo objetivo é o de um governo integrado e inteligente. A ênfase, como proposto na agenda, será sobre o uso de dados. Com base nisso, será desenvolvida a capacidade de tomar decisões de política pública baseadas em evidências.
Finalmente, o quarto pilar é a governança da sociedade da informação. Aqui há um objetivo ligado à segurança, no sentido de como os usuários se relacionam com as tecnologias. Ela estabelece a criação de um centro de operações de cibersegurança.
Fabrizio Scrollini, professor da Graduate School of Information Systems do centro, não pôde estar presente durante a mesa redonda, mas compartilhou alguns comentários gravados por ele na tela. Entre suas principais preocupações, ele destacou o papel do governo na agenda digital de 2020. Neste papel, segundo ele, existem riscos. "Há vários atores que terão desafios de coordenação e, portanto, o desafio para o governo será levar adiante este esforço em áreas muito diversas, desde a simplificação de procedimentos eletrônicos até a geração e o apoio de habilidades para os cidadãos e para a economia digital", disse Scrollini.
Ele também destacou a necessidade de reforçar a divulgação do direito de acesso à informação pública no Uruguai. "Hoje, se algum de vocês quisesse fazer um pedido de acesso a informações públicas através de formulários ou canais on-line, apenas um em cada três obteria uma resposta. E não necessariamente todos vocês obteriam as informações que estavam procurando", disse ele.
Por sua vez, Marcelo Montado, presidente do CEDU, disse que o país deve liderar a inovação dos marcos legais das leis que facilitam o desenvolvimento da economia digital. A este respeito, ele mencionou a Lei de Inclusão Financeira como um exemplo. "É um exemplo em nível global e temos que continuar avançando nesta linha. Criar as estruturas legais para ser realmente atraente".
Fonte: Semanário Crónicas
Conecta