Em 23 de novembro, foi realizada uma mesa redonda sobre necessidades de treinamento no setor de tecnologia da informação (TI) no Centro de Pós-Graduação da Faculdade de Economia e Administração (UdelaR), com a participação de Álvaro Lamé - presidente da Câmara Uruguaia de Tecnologia da Informação (Cuti), e Gabriel Budiño - coordenador acadêmico do Curso de Pós-Graduação em Sistemas de Informação e Gestão Empresarial de TI.
A relação entre Cuti e a Faculdade foi formalizada em 2012 com a assinatura de um acordo-quadro de colaboração entre as duas instituições para o melhor desenvolvimento de seus respectivos objetivos e atividades, através de programas e projetos específicos de cooperação, tais como o desenvolvimento de sistemas de bolsas de estudo e estágios destinados a proporcionar aos estudantes da Universidade áreas de trabalho e prática profissional dentro da estrutura de atividades de Cuti, promoção de atividades de pesquisa e desenvolvimento em áreas acadêmicas de interesse comum através de projetos conjuntos, intercâmbio de informações científicas e estatísticas e patrocínio e organização de seminários, cursos de graduação e pós-graduação sobre temas de interesse comum.
No âmbito deste acordo, e com o objetivo de expandir a oferta educacional da FCEA através de propostas que combinam elementos de administração e tecnologias da informação, foi criado o diploma de pós-graduação com especialização em Sistemas de Informação Organizacional e Gestão de Negócios de TI, que em abril do próximo ano iniciará sua quinta geração.
Álvaro Lamé apresentou as principais diretrizes do Plano de Gestão 2016-2018 da Cuti para contribuir para o desenvolvimento de um Ecossistema Tecnológico Inovador que oferece oportunidades de crescimento a todos os atores do setor.
Atualmente a Cuti acumulou quase 30 anos de experiência e tem mais de 370 empresas associadas que exportam para mais de 50 mercados (aproximadamente 40% são vendas de produtos e serviços para os Estados Unidos, e alcançam países tão distantes quanto a China e o Japão).
Tanto Lamé quanto Budiño destacaram o estado atual do ecossistema da indústria de TI, composto por vários atores públicos e privados que convergem no desenvolvimento do setor. O Estado e agências governamentais (MIEM, Antel, Ceibal, ANII, Agesic, Uruguay XXI, Inefop, Ande), parques tecnológicos como Latu e Zonamérica, academia (UdelaR, UTU, UTEC e universidades privadas) e diversas instituições como a Câmara de Economia Digital (CEDU), incubadoras, fundos de investimento e espaços de coworking, entre outros.
O setor de TI no Uruguai não só inclui empresas que fornecem serviços de TI (desenvolvimento, consultoria, testes) e infra-estrutura, mas também atravessam horizontalmente diferentes setores (ERP, RH, BI), apóiam o desenvolvimento do comércio (Mercado Internet, Mercado de Consumo) e através de verticais da indústria impulsionam atividades tão diversas como medicina, finanças, telecomunicações, turismo e logística.
De acordo com dados preliminares apresentados por Álvaro Lamé, em 2015 o faturamento total das empresas associadas da Cuti alcançou US$ 1.068 milhões com um sólido crescimento no mercado interno e exportações de quase US$ 300 milhões.
Lamé lembrou que o setor emprega 12.000 pessoas e que tem dificuldades para continuar crescendo devido à falta de recursos humanos treinados não apenas em TI, mas também de pessoas com diferentes conhecimentos e habilidades para trabalhar em consultoria, implementação, gerenciamento de projetos, vendas, treinamento, testes, etc.
Os desafios da Cuti para os próximos anos têm a ver com a capacitação das empresas, promovendo o desenvolvimento de novos empreendimentos tecnológicos e a capacitação dos empreendedores, apostando na inovação e na internacionalização com um acelerador de negócios e participação ativa em missões comerciais no exterior.
Cuti também está trabalhando com o governo em instrumentos para apoiar o financiamento do setor, atraindo investimentos e benefícios fiscais para investimentos em tecnologia, mas também para gerar um marco regulatório pioneiro em questões relacionadas ao teletrabalho, à economia digital e à inovação tecnológica.
Através do programa b_IT, Cuti espera gerenciar 4 milhões de dólares do Inefop e 1 milhão de dólares de empresas privadas, para o treinamento de 4 mil pessoas nos próximos 4 anos com forte foco no interior do país, com a participação ativa de instituições educacionais e profissionais do setor que possam colaborar no processo de treinamento e conscientização dos jovens para se voltarem para empresas de TI.
Gabriel Budiño lembrou que a Faculdade de Economia e Administração tem trabalhado com os Cuti de diversas maneiras. Por um lado, o currículo de um novo curso de graduação foi desenvolvido em conjunto com a Faculdade de Engenharia para o treinamento de graduados em administração em sistemas de informação - combinando conteúdos gerenciais e de informática.
Ao mesmo tempo, foi lançado o Programa de Pós-graduação em Sistemas de Informação e Gestão Empresarial de TI, que formou em 4 gerações mais de 70 profissionais (contadores, graduados em administração e economia, engenheiros de computação, graduados em sistemas e com outros cursos de graduação), com uma participação significativa de mulheres (52%), o que não era comum no setor.
Em sua apresentação, Budiño mencionou a necessidade de desenvolver habilidades que integrem conhecimento - tanto tecnológico quanto gerencial, apoiar a transformação de idéias em modelos de negócios, fortalecer o crescimento das empresas e capitalizar os esforços de diferentes atores (Agesic, Uruguay XXI, ANII, Cuti, Cedu, UdelaR) para promover a inovação, as exportações, os investimentos e o empreendedorismo.
A pós-graduação em sistemas combina cursos de TI (ERP, BI, Workflow, Segurança) com cursos de gestão (RH, planejamento estratégico, modelos de negócios, projetos, internacionalização) e visões de TI de outras disciplinas (contratos, marketing, inovação, ética).
No encerramento da atividade, tanto Álvaro Lamé como Gabriel Budiño concordaram sobre os importantes desafios que o desenvolvimento das TIC nos apresentará nos próximos anos, e as oportunidades associadas para países como o nosso com uma infra-estrutura importante, pessoas qualificadas e dimensões que nos permitem testar novas tecnologias se conseguirmos nos adaptar rapidamente às mudanças.

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